Comunidade Vida e Paz

A Comunidade Vida e Paz, instituição particular de solidariedade social, tem a sua área de actuação junto dos “Sem Abrigo” que pernoitam em Lisboa e nos seus arredores.

Esta instituição de solidariedade social sem fins lucrativos, fundada a 1989, apoia diariamente mais de 900 sem-abrigo lisboetas e famílias carenciadas, através do apoio de rua de três centenas de voluntários, que fazem visitas nocturnas das 21horas às 4horas da manhã, pelas zonas dos Anjos, Santa Apolónia, Baixa e Praça da Alegria.

Logótipo da Comunidade Vida e Paz

Objectivos

A Comunidade Vida e Paz, visa assistir espiritualmente e materialmente pessoas em situação de desamparo familiar e social. Tentando desenvolver nestas a consciência da sua dignidade Humana e a sua capacidade de realização pessoal, proporcionando-lhes uma experiência de vida, em sociedade, um programa terapêutico e uma formação técnico-profissional, com vista à sua reintegração social.

Como é que esta instituição actua?

De modo a proporcionar a estas pessoas uma séria e duradoura integração global, a Comunidade Vida e Paz desenvolveu, de uma forma integrada e coerente, um projecto inovador de reabilitação, a que dá o nome de “Projecto de Esperança para os Sem-Abrigo”. Este projecto está integrado em três etapas, que contam com o apoio das estruturas criadas por esta instituição, físicas e não só, que necessitam da colaboração de Voluntários.

  • Primeira Etapa – Contacto/Motivação

Nesta primeira etapa destacam-se as “Equipas de Rua”. Estas equipas são divididas por duas carrinhas cada uma delas transporta 9 elementos, dos quais um é um coordenador e outro vice coordenador, que todos os dias saem da Sede Instituição, e percorrem as ruas de Lisboa contactando diariamente com cerca de 360 pessoas em 51 locais dentro do concelho de Lisboa, distribuindo cerca de 80 litros de leite, 900 sandes, bolos, fruta, iogurtes, etc.

Ao satisfazer as necessidades básicas destas pessoas, os elementos desta equipa pretendem motiva-los para a mudança, fazendo-lhes sentir que existe uma alternativa digna à vida de sofrimento e de miséria que experimentam e que essa alternativa pode ser dada pela Comunidade.

Para este primeiro contacto a Comunidade conta com o apoio de mais de trezentos voluntários, não só os elementos das “Equipas de Rua”, mas também aqueles que participam na elaboração dos sacos com sandes, bolos, etc. as chamadas “Equipas das Sandes”, e aqueles que dalguma forma contribuem com algo para que o sucesso destas “Equipas de Rua” seja garantido.

Este primeiro passo, de motivação para a mudança, é sem duvida o mais importante, e o mais difícil deste processo, pois a maior parte dos “Sem-Abrigo” não conseguem admitir o facto de que vivem uma vida pouco digna, acabando por rejeitar as oportunidades que lhes são oferecidas.

  • Segunda Etapa – Tratamento de Recuperação e Formação

Após o contacto/motivação, o primeiro acolhimento institucional dos sem-abrigo é de extrema importância, pois vai ser neste que se faz o primeiro diagnóstico por técnicos. Este diagnóstico é feito na sede da Instituição em Lisboa. É nesta etapa que o indivíduo é encaminhado e preparado para iniciar o programa de tratamento. O modelo terapêutico utilizado pela instituição assenta na reestruturação global do indivíduo “Sem Abrigo” nas vertentes física, psicológica e espiritual. Compreende todo um trabalho realizado por equipas multidisciplinares que acompanham os utentes desde a sua situação de exclusão à sua reinserção social. O tratamento tem a duração sensivelmente de 13 meses em regime de internamento.

O programa terapêutico resulta da fusão de dois modelos, o Minnesota e o Modelo Hierárquico. O Modelo Minnesota baseia-se na filosofia dos Doze Passos dos Alcoólicos/Narcóticos Anónimos, que ajuda o dependente a modificar os seus comportamentos e atitudes e a responsabilizar-se pela sua recuperação. O Modelo Hierárquico caracteriza-se por quatro fases, despertar, assumir, responsabilizar-se e reconstruir, havendo um desenvolvimento progressivo das responsabilidades.

Para o cumprimento deste tratamento de 13 meses os indivíduos são colocados nos centros de apoio da instituição, situados na Venda do Pinheiro, Sobral de Monte Agraço, Fátima e Alvalade. Nestes centros vivem num ambiente acolhedor, saudável e familiar, tento a oportunidade de quebrar as barreiras existentes com o seu passado, o que os motiva para a partilha dos seus problemas em grupo ou individualmente tendo também a oportunidade de frequentar reuniões dos AA/NA (Alcoólicos Anónimos/ Narcóticos Anónimos). A Comunidade Vida e Paz proporciona ainda aos seus utentes a frequência de cursos de formação oficinal de agricultura, informática, artesanato, entre outros, com vista à valorização educacional e profissional, reconhecimento e valorização das potencialidades, visando a integração no mercado de trabalho. O que os possibilita crescer interiormente aprendendo não só um novo oficio mas também a viver com os seus sentimentos. Estes centros dão a possibilidade ao indivíduo de efectuar uma real mudança e a criação de um novo projecto de vida assente em ideias saudáveis, com vista à reinserção social.

Para o sucesso destes, a Comunidade Vida e Paz conta com a colaboração de cerca de 100 trabalhadores (técnicos de saúde, terapeutas, psicólogos, sociólogos, técnicos de serviço social, de gestão e administração).

  • Terceira Etapa – Reinserção social

Para a reinserção social dos indivíduos que cumpriram o tratamento a instituição conta com dois apartamentos de reinserção social para apoio habitacional inicial, com acompanhamento bio-psicossocial, “A Casinha em Leiria” e o “Apartamento da Venda do pinheiro”.

Para a pela reinserção na sociedade dos Sem Abrigo, o Comunidade Vida e Paz conta com o apoio da U.V.A (Unidade de Vida autónoma), uma estrutura habitacional destinada a pessoas com problemática psiquiátrica com boa capacidade autonómica, com a COVIPAZ, uma empresa de reinserção social, com a UNIVA, para apoio ao emprego, e com os contactos com os Centros de Emprego

Só no último ano a Comunidade recebeu 271 pessoas nas suas instalações o que totaliza 441 residentes. A taxa de sucesso do programa terapêutico é de 65%, o que é considerada tecnicamente uma taxa muito elevada de recuperação e reinserção social.


Necessidades desta Instituição

Diariamente, a todos os sem-abrigo são oferecidos, por esta instituição, agasalhos e um saco com sandes, iogurtes, frutas, bolachas e leite. Contudo, segundo o presidente da Comunidade Vida e Paz, João Abrunhosa, muitas vezes é complicado conseguir a quantidade necessária de alimentos para ajudar os Sem-Abrigo. A instituição precisa de mais alimentos, de roupas, de toda a ajuda disponível, pois, muitas vezes, os lanches que são levados aos Sem-Abrigo são a primeira e única refeição que eles tomam diariamente. Não podendo a instituição agir da perante esta realidade, por falta de apoios.

One response

13 10 2008
Elisa Rocha

Gostaria de realizar um projecto semelhante ao vosso, aqui na região de Trás-os- Montes ou então, estender o vosso projecto à nossa região e trabalharmos em parceria; agradecia a vossa opinião.
Esta ideia surgiu após ter assistido à reportagem efectuada pela Lúcia Moniz na RTP 2 no dia 11/10/2008.
Parabéns.
Elisa Rocha

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